O Sal da Língua

Sons organizados de forma a exprimirem uma grande variedade de emoções.

Archive for August, 2007

Sobre o cair das lágrimas

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José González, In Our Nature (2007)

(Não sou um tipo que chore com facilidade. Sem exagero há uns quinze anos que não solto a lágrima. Começo a achar que isto só lá vai à base do choque. A ver.)

José González regressa por esta altura com o segundo álbum da sua acústica, mas original, carreira. In Our Nature é o prolongamento natural do primeiro disco, com melhores arranjos musicais e letras mais apuradas. Existe uma versão de Teardrop dos Massive Attack. É preciso um grande maluco ou um grande músico para assumir uma versão deste tema.

Mas para falar de Teardrop, é essencial mostrar o video, por ser o complemento perfeito da música. A ver se me contenho.

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Música para meninas?

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Sia, Some People Have Real Problems (2007)

Fui fã do início de carreira dos Zero7 e fui fã do disco de estreia de Sia. Será que ouço música para meninas? E caso goste do segundo álbum a solo de Sia, serei um caso perdido? Tenho vergonha de dizer aos meus pais e receio que os meus amigos se riam de mim. Ajudem-me, por favor!

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Volta ao mundo num só post

 

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Tomahawk, Anonymous (2007)

Mike Patton já nos habituou a esperar sempre algo de diferente. Para o bem e para o mal. O homem que abandonou a ribalta e os concertos de estádio com os Faith No More para se dedicar aos devaneios musicais mais variados, apresenta agora o novo Álbum dos Tomahawk. E desta vez, que agradável surpresa. Patton aproveita uma porção da herança musical dos índios da América do Norte e recria danças da chuva, da paz e de guerra. A ouvir, nem que seja uma só vez. De preferência, e se possível, bem alto. Chega a ser monumental.

 

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My Little Airport, Zoo Is Sad, People Are Cruel (2007)

E eis que há vida a Oriente para além dos Pizzicato Five e de Ryuichi Sakamoto. Os My Little Airport são de Hong Kong e devem ter passado a adolescência a ouvir B&S. Excelentes canções pop, com influência anglo-saxónica, mas com o essencial toque de originalidade oriental. Muito interessantes e possivelmente viciantes. E sim, cantam em japonês.

 

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Beirut, The Flying Club Cup (2007)

Zach Condon e os Beirut estão de volta. Os sons folk dos balcãs, com influência country e rock também. Ninguém faz o que Zach Condon tem feito. Num altura em que se fala tanto de reinvenções/recriações/imitações é refrescante ouvir algo como os Beirut.

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The Downward Spiral, 1994

 

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Nine Inch Nails, The Downward Spiral (1994)

Os Nine Inch Nails foram uma das várias bandas de ruptura dos anos 90. Com The Downward Spiral os NIN conseguiram, em 1994, atingir um patamar de sucesso que não estava ao alcance das bandas de sonoridade semelhante da época. Passou a falar-se do experimentalismo, da música industrial com mais frequência. Muitos foram à procura das influências dos NIN e chegaram até coisas como Einsturzende Neubauten. Eu fui um deles. Trent Reznor foi um dos ídolos alternativos dos nineties, mas a verdade é que se soube rodear das pessoas certas na época. Flood, Rick Rubin e David Bowie colaboraram frequentemente com os NIN. Este album aborda a viagem interior da personagem principal do album. É interessante pelo conceito, pela representatividade e pela actualidade.

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Tempos profícuos estes

 

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iLiKETRAiNS, Elegies To Lessons Learnt (2007)

São tempos bons os que vivemos. A indústria discográfica vive uma fase de transição de duração indefinida. A partilha de música livre sobrevive e está mais e mais difundida. Nunca antes tanta gente teve tanto acesso a tão variada oferta. Talvez nunca se tenha ouvido tanta música como agora. E só os que ganham dinheiro à conta de músicos e artistas clamam pela mudança. No outro dia ouvi um vocalista de uma banda americana emergente queixar-se de que fazem pouco dinheiro na estrada, ao mesmo tempo que confessa fazer, ele próprio, downloads de música partilhada da Internet com regularidade. Paradigmático. Por mim, é com todo o gosto que faço esta partilha pessoal, baseada em tudo aquilo a que tenho acesso, com o objectivo de divulgar as bandas que gosto. A ideia é, claro está, fazer quem ouve comprar a música e ir aos concertos. Sobretudo isto, ouvir a música ao vivo. E escutar alguém dizer, mesmo de fugida, que gostou de algo que aqui coloquei vale ouro, mais do que imaginam.

Tudo isto para falar de um álbum daqueles que não aparece todos os dias, apesar da frequência e da velocidade a que temos acesso à música que nos entusiasma, faz arrepiar, saltar, dançar. É quase um lugar comum. Mas a verdade é que é tudo graças a esta partilha global. Os iLiKETRAiNS são uma banda de Leeds com um som rock-épico-sombrio. São sublimes. E agora façam o que quiserem com isto.

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Strange Days, 1967

 

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The Doors, Strange Days (1967)

Álbum que está comigo quase desde que ouço música. Os Doors teriam de chegar aqui um dia e não passa de hoje. A discografia morrissiana prestava-se a vários amostras aqui no blog, mas escolhi este. Também porque diz muito sobre o momento que estou a atravessar em termos pessoais. São dias estranhos que se vivem. Num minuto sou o careca dos bigodes a suportar uma barra de 100 quilos (que na verdade é de esferovite) e no outro sou o acrobata prestes a cair. Ou o anão aos saltos a clamar atenção. Ou o malabarista que na verdade não sabe fazer outra coisa. Não, confesso que sou o trompetista à procura da música ideal. Talvez um pouco de todos. Ainda não sei bem. De qualquer forma, estes temas pertencem à fase inicial dos Doors, a mais interessante. Sobretudo nas letras, antes de Morrisson se dedicar às caricaturas de si próprio. E as drogas não eram ainda tão pesadas. Um disco equilibrado no génio, portanto.

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Os queridos do Canadá

 

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The Dears, Gang Of Losers (2006)

Álbum de 2006, essencial. Rock simples, melódico, letras que fogem ao vulgar. Bom gosto e boa execução. Abrangente nos arranjos, nos temas abordados. Hate Then Love é um instant classic que fica bem em qualquer playlist. Murray Lightburn é um crooner dos tempos modernos. O NME já os considerou a melhor banda da actualidade. Mas mais importante que tudo, são de Montreal, Canadá. Hoje em dia parece que o topo do mundo está aí.

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