O Sal da Língua

Sons organizados de forma a exprimirem uma grande variedade de emoções.

Archive for November, 2007

Urban Hymns, 1997

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The Verve, Urban Hymns (1997)

Passadas que estão as fases de exultação comercial, de digestão do sucesso e de depressão pós-a-vida-é-boa-toda-a-gente-nos adora, parece-me uma excelente altura para sugerir aqui uma nova audição a este Urban Hymns. Tal tem sido feito por várias revistas da especialidade, desde a Uncut à NME, e as conclusões a que chegaram é que Urban Hymns guarda ainda qualquer coisa que vale a pena prestar atenção. É esta a sugestão que eu deixo aqui também, num ano em que os The Verve anunciaram a reunião da banda e que disco novo e concertos ao vivo se avizinham. Com o airplay que temas como Bitter Sweet Symphony ou The Drugs Don’t Work tiveram, muitos foram aqueles que fugiram dos The Verve numa manobra de fuga alérgica ao êxito fácil. Mas é provável que, agora, ninguém lhes leve a mal e os resultados podem até ser surpreendentes.

Trata-se de um conjunto de temas típicos da cultura urbana do final do século, onde se conjuga um modo de vida que começava a ser global e um romantismo pop de características fortemente britânicas. Não existem temas fracos ou medianos, todos têm valor melódico e as letras, surpresa das surpresas, dizem mesmo qualquer coisa.

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69 Love Songs, 1999

Se todas as cartas e letras de amor são ridículas, devem ser também tristes, tristes de fazer chorar as pedras da calçada. Se a isto juntarmos melodias simples, emotivas, bem humoradas e bem interpretadas podemos conseguir um excelente disco de canções.

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The Magnetic Fields, 69 Love Songs (1999)

Mas, com 69 Love Songs, os The Magnetic Fields foram um pouco mais longe. Conceberam uma autêntica bíblia sobre relações, compilada em três CDs que compõem um extraordinário disco conceptual. Há de tudo: tristezas profundas, ironia a rodos, muito humor e corações partidos, mais tarde colados com fita-cola. A harmonia entre a música e as letras é total e são várias as pérolas que se podem encontrar no meio de 69 temas, todos de elevada qualidade. Eu sei que parece difícil de acreditar, mas não custa tentar. Quem já conhece, sabe do que estou a falar. Quem não conhece, que se prepare para uma surpresa das grandes. Bem-vindos ao mundo de Stephin Merritt, onde a mistura de géneros musicais é total e onde tudo parece um pouco caótico e fora do lugar. Obra-prima.

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A sinfonia de Murphy

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LCD Soundsystem, 45:33 (2007)

Originalmente encomendado pela Nike para uma campanha publicitária, este conjunto de temas contínuos em forma de sinfonia contempla a orientação essencial dos LCD Soundsystem, mas reflecte com sucesso a ideia de James Murphy em gravar temas que fugissem a uma orientação comercial da música. O resultado é um disco cheio de pontos altos, que foge à ideia do tema de refrão fácil, mas que consegue guardar tudo o que de bom têm os LCD Soundsystem: mudanças de ritmos originais, excelente utilização da capacidade técnica dos membros da banda e uma boa onda musical que se nota ao longo de toda a gravação. Uma excelente surpresa guardada para o final do ano.

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Orgânica ou electrónica?

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Stars Of The Lid, And Their Refinement of the Decline (2007)

Regresso dos Stars of the Lid seis anos depois do excelente Tired Sound Of… de 2000. Esta dupla de Austin é responsável por algumas das experiências mais inovadoras de conjugação da música electrónica com instrumentos clássicos de cordas e sopro. And Their Refinement of the Decline, de 2007, traz tudo o que de bom já conhecíamos da banda. Música cinematográfica com capacidade para nos emocionar e colorir os momentos especiais da nossa vida.

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Regresso a Ambient

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Brian Eno/Harold Budd, Ambient 2 -The Plateaux of Mirror (1980)

Etapa número dois da digressão de Eno pela música ambient. Desta vez, em conjunto do Harold Budd.

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Pasteleiro por uma hora

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No próximo Sábado, dia 1 de Dezembro, a Hora do Bolo da Radar ficará a cargo desta metade do twenty4hours. Preparei um bolo de chocolate mal cozido, acabado de sair do forno, adequado às tardes frias de Inverno. Sintonizem-se, se puderem, entre as 17h e as 18h, 97.8 FM, Radar.

Foi uma experiência bem agradável e surpreendente. Deixo o meu agradecimento ao Pedro Moreira Dias, pela conversa fácil e pelo à vontade. Os nervos acabaram por ficar à porta do estúdio. Foi uma pequena amostra do mundo da rádio e da sonoplastia. Foi também um valente empurrão para não adiar mais a aventura do podcasting.

Espero que gostem, a viagem promete!

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White Album Sessions, 1968

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The Beatles, White Album Sessions (2CDs), 1968

As histórias sobre as famosas sessões de gravação de The Beatles, também conhecido como White Album, são muitas e variadas. Podem ser consultadas aqui, aqui e aqui, por exemplo. Para mim, esta é a fase mais profícua e inspirada da banda, de onde resultaram alguns dos temas mais bem conseguidos da carreira dos Fab Four e, consequentemente, da história do pop rock. Não é novidade para ninguém que a dupla Lennon/McCartney foi A dupla da história da música, mas parece-me que poucas vezes se explicou porquê. Esta gravação não oficial abrange temas incluídos em The Beatles, mas também temas ligeiramente alterados e outros inéditos e não incluídos. É a total divagação dos quatros músicos e dos produtores, onde talento e dispersão se misturam e alternam nem sempre da forma mais lógica. Os Beatles regressavam da estadia espiritual na Índia, com consequências díspares para cada um dos membros da banda, e este foi um primeiro princípio para os caminhos diferentes que cada um veio a seguir. Foi aqui que Yoko Ono começou a frequentar as sessões de gravação. Foi aqui que Ringo teve o primeiro amuo por se sentir pouco presente no processo criativo, foi aqui que começaram as sessões de gravação separadas, em que cada um aparecia a uma hora diferente para gravar a sua parte. Mas foi também aqui que a inspiração oriental foi mais forte, que começaram a gravar em oito pistas em vez das quatro habituais e que as reconciliações mais sentidas e emotivas tiveram lugar. Tudo isto transparece um pouco neste conjunto de gravações, onde fica a sensação de que cada tema traz consigo uma história diferente nas entrelinhas. Estes rapazes foram a grande força criativa musical da segunda metade do século XX. A nossa cultura iconográfica tem The Beatles escrito um pouco por toda a parte. White Album Sessions é uma espécie de pequena (mas significativa) peça do puzzle que foram os Beatles.

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