O Sal da Língua

Sons organizados de forma a exprimirem uma grande variedade de emoções.

E agora, algo completamente diferente

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1996. Não parece assim tão distante. Mas para além da ausência dos já falados telemóveis havia algo mais a faltar nas nossas vidas. A Internet. Hoje parece difícil imaginar a adolescência sem todos estes “essenciais”, mas o facto é que foi real e a minha geração esteve lá. A partilha de música era feita pela rádio, pelos amigos e pelo doloroso comprar da música. Cada cassete, disco ou CD comprados equivaliam a algumas horas na loja de discos a tentar decidir o melhor possível. Cada álbum que terminava em desilusão era um tremendo balde de água fria. Foi neste contexto que a SuperFM apareceu e assumiu rapidamente importância nas escolhas musicais de muitos adolescentes. Era uma rádio sedeada no Montijo que emitia naquela zona, mas também na margem norte do Tejo. Desde Faith No More a Ugly Kid Joe, passando pelos Metallica e pelos Iron Maiden, constituíram grande parte da minha, e da de muitos, edudação musical entre os 13 e os 16 anos.

Foi nesta altura que começávamos a reparar nuns tais Sarcastic que de vez em quando ocupavam o air play da dita rádio. O de vez em quando passou a recorrente e pouco tempo demorou até aparecem no primeiro lugar dos favoritos do auditório. A curiosidade é que eram Portugueses, por sinal Portugueses que até moravam bem perto de mim. Palavra puxa palavra e as cassestes de Sarcastic circulavam por todo o lado e os concertos da banda nos bares da zona (Toma Bar, Buffulo) eram um acontecimento semanal. Conseguiram uma dose de fama razoável e chegou-se em pensar em vôos maiores. Mas o que se seguiu na história da banda foi menos interessante, as coisas não correram bem e “desentendimentos artísticos” levaram a um LP menos bem conseguido e ao fim da banda.

Onze anos depois, tive acesso novamente aos Sarcastic, desta vez na forma de mp3 (obrigado Rui). Foi um regresso ao passado autêntico, com a inevitável percepção da passagem dos anos. É claro que hoje tudo soa de forma diferente, já não somos os jovens impressionáveis de então (será mesmo?…) e a sonoridade da banda é absolutamente nineties a piscar o olho aos eighties. Os Sarcastic não têm um MySpace ou um blogue numa editora. Têm um blogue de memórias, mantido e comentado pelos fãs de então, com presenças esporádicas dos membros da banda.

Sei que haverá por aí mais gente que ouviu estes rapazes na altura e que está há cerca de dez anos sem pôr os ouvidos nisto. Garanto-vos que o efeito é surpreendente. Muitos dos temas mantêm o “poder” que tanto impressionou na época e vão ver que ainda vão dar uns saltos ao som de One by One…

Nota: as capas apresentadas acima referem-se ao EP The Tale Begins, que por sinal o iTunes reconheceu automaticamente, e à cassete promo Unreal, de 1996. Qualquer uma delas transfere ambas as gravações.

nunoromano

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