O Sal da Língua

Sons organizados de forma a exprimirem uma grande variedade de emoções.

Archive for January, 2008

A lenda vive

Foi com alívio que li a reportagem do dia seguinte ao concerto de reunião dos Led Zeppelin a 10 de Dezembro por ocasião do Tributo a Ahmet Ertegun. Alívio porque os senhores já não vão para novos. Porque não estavam juntos há 19 anos. Porque os tempos são outros e porque na altura revolucionaram o conceito do rock, quer técnico quer artístico. O tema com que abriram o concerto, então, é um dos primores técnicos da época e da história da banda. Good Times Bad Times deu origem ao conceito de bateria double bass drum da autoria do já falecido John Bonham (as críticas dizem que o filho o substituíu à altura no concerto de 10 de Dezembro). A linha de baixo deste tema é, segundo as palavras do próprio John Paul Jones, a mais complexa que criou. E, no entanto, foi precisamente com Good Times Bad Times que abriram a noite. Em grande.

Em disco:

Ao vivo, 10 de Dezembro 2007:

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Serpentine, Chris Bathgate

Serpentine é o nome de um dos temas mais felizes dos dEUS e foi também, curiosamente, um dos nomes considerados para título deste blogue. Foi com admiração que encontrei uma música com este mesmo nome no novo disco de Chris Bathgate, A Cork Tale Wake. Falarei aqui dele nas próximas semanas, mas não resisto a deixar aqui o Serpentine de Chris Bathgate, um espanto de delicadeza e inspiração.

Thao Nguyen with the Get Down Stay Down, We Brave Bee Stings And All

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E para terminar a passagem pelos quatro discos que estiveram em escuta esta semana, deixo a menina Thao Nguyen, com os os Get Down Stay Down. Foram quatro discos diferentes, mas de nível alto. Apesar disso, este foi o que me encheu as medidas todas. Thao é uma cantora/compositora do estado da Virginia, nos EUA, e, como em todas as histórias de adolescentes talentosos que chegam além-fronteiras, cresceu a tocar música. Não, Thao não utiliza qualquer tipo de influências étnicas que o seu nome oriental possa indicar. É rock country/folk alternativo puro e duro à boa maneira dos Bright Eyes e dos Iron and Wine e inclui-se numa nova vaga de músicos norte-americanos (Devendra Banhart e Beirut, por exemplo) que recuperam e redefinem o folk dando origem a várias tendências diferentes. Pessoalmente, impressionou-me a maturidade da voz, só semelhante a Cat Power e Cat Power tem uns quilómetros a mais que esta menina. A acompanhar atentamente, de preferência a ouvir este We Brave Bee Stings And All.

Nota de sal: 8.5/10

Referência: Bright Eyes, Cat Power

Falling Of The Lavender Bridge, Lightspeed Champion

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Bom folk acústico à boa maneira de Sufjan Stevens. Este é de caras um dos discos que mais facilmente me entrou no sistema, tal é a afabilidade da instrumentação e das letras. Devonte Hynes é membro dos mais agressivos Test Icicles, mas abraçou de forma abertamente apaixonada este novo rumo, o que só (nos) trouxe vantagens. Será certamente um dos discos mais ouvidos e falados deste primeiro trimestre e o airplay está garantido. Deixemo-nos levar pelo embalo folk, soul, pop, country o tudo o mais que cabe neste Falling Of The Lavender Bridge dos Lightspeed Champion.

Nota de sal: 8/10

Referência: Sufjan Stevens, The Decemberists

In the Vines, Castanets

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A imagem que me parece perfeita para caracterizar este In the Vines, o quinto disco de originais do projecto musical do senhor Raymond Raposa, os Castanets, é a degustação de um vinho suave mas exigente no desvendar dos diversos sabores e aromas com que nos surpreendemos e deparamos. Como um vinho muda subitamente o que tem para nos oferecer após abandonar a garrafa e entregar-se à nossa ânsia, In the Vines tem o dom de apresentar mudanças discretas de direcção e de nos proporcionar aromas e ambientes musicais singulares, mas confortantes. Não sei se a composição do disco teve como inspiração a cultura vitivinícula, mas eu não lhe consegui passar ao lado. Para momentos especiais e só para momentos especiais.

Nota de sal: 7/10

Referência: Howe Gelb, Anywhen

Heretic Pride, The Mountain Goats

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Já circula por aí uma primeira versão de Heretic Pride, o senhor que se segue na lista já comprida de edições oficiais dos The Mountain Goats. A versão oficial sairá apenas a 18 de Fevereiro, mas já é possível ver que os rapazes acertaram (finalmente) em cheio. Não os conhecia e foram-me recomendados por associação com outras bandas. As características principais são a voz peculiar de John Darnielle e a limpidez do som dos instrumentos, que revela dois aspectos importantes: a capacidade de produção em estúdio da banda e o sucesso no descobrir de uma sonoridade própria e facilmente identificável. Existe um som The Mountain Goats. Não sei qual será o potencial em termos de vendas deste Heretic Pride, mas o certo é que tem grande valor enquanto peça musical e objecto final e torna-se fácil encontrar uma música preferida, que toca aquele nervo muito específico da nossa sensibilidade. No meu caso, foi o belíssimo tema que também dá nome ao álbum e que podem encontrar aqui na Box.

Nota de sal: 7/10

Referência: The Flaming Lips, Mercury Rev

Sessão #1

“”… escuto cheiros e cores, sinto-os na língua.” António Lobo Antunes

Esta é a sessão experimental do podcast d’ O Sal da Língua. Tem defeitos e imperfeições, mas tentarei minimizá-los com o passar do tempo. Gosto de falar de música, mas é ouvir que me dá mesmo gozo. E misturar, e referenciar, e mostrar. O podcast pareceu-me ser a saída ideal e é parte integrante e essencial deste meu, e vosso se assim o quiserem, novo blogue.

Assume também a forma de apresentação online oficial, depois de uma semana de preparação e testes e outras mais a reunir ideias. É um novo fôlego para mim e o entusiasmo é grande. Até já.

Tracklist:

Is It Gonna Change: Lasse Mathiessen
Communicate: Sioen
Bag of Hammers: Thao Nguyen with the Get Down Stay Down
Playground Hustle: The Do
Fall is my Lover: Frida Hyvonen
River of No Return: Scout Nibblet
Galaxy of the Lost: Lightspeed Champion
Re:Stacks: Bon Iver
Look Away Lucifer: Madrugada
So Desperate: The Mountain Goats
Don’t Tell Me To Do the Math(s): Los Campesinos!
Walcott: Vampire Weekend
The Negative Sex: IAMX
Via: dEUS
Day Too Soon: Sia