O Sal da Língua

Sons organizados de forma a exprimirem uma grande variedade de emoções.

Archive for April, 2008

Jackpot Tuga

Este post é dedicado a dois grandes lançamentos portugueses de Abril.

Primeiro, o terceiro registo de originais da dupla Dead Combo, desta vez num disco mais expansivo, arrojado, multi-instrumentalista, universal, sem nunca perder a face portuguesa (e lisboeta, já agora) que completa o conceito da banda. Os DC são únicos na sonoridade que apresentam e merecem todo o destaque que lhes seja dado. Apesar das características portuguesas que não enganam, estou certo de que facilmente seriam colados às tendências alternative country norte-americanas ou à nova folk europeia de origens parisienses/balcânicas que tanto está na moda. Lusitânia Playboys, um dos momentos altos do ano aqui n’ O Sal da Língua.

(Sopa De Cavalo Cansado, Dead Combo)

O segundo disco é a retrospectiva de oito anos dos Balla, o projecto premium de Armando Teixeira. Os Balla são o centro do génio criativo de Armando e é aqui que mais brilha. O espírito Balla tem funcionado tanto enquanto conceito de disco como no formato de single e este Resumo 2000/2008 é, por isso, uma bela colecção de singles. Atempado para quem tem acompanhado os Balla e útil enquanto primeira abordagem. Atenção também às letras, não é todos os dias que se canta e escreve tão bem em português. O site da editora dos Balla disponibiliza gratuitamente cinco temas tocados em versões minimalistas dos Balla, aqui.

(O Fim da Luta, Balla)

Ambos os discos destacam-se também pelo trabalho fora-de-série no formato físico dos CDs. Boa apresentação, boas fotos (especialmente no caso dos Dead Combo) e uma edição audio complementada por uma edição vídeo (nos Dead Combo) e por um CD extra com versões alternativas (nos Balla) que valorizam a compra neste formato. Parabéns a ambos.

Jamie Lidell, Jim

Confesso que só recentemente este nome e este disco me chegou às mãos. As referências eram boas na generalidade e procurar artistas novas com abordagens originais é definitivamente o meu fraco. Encontrá-los é uma história completamente diferente, mas, às vezes, acontece. Jim, de Jamie Lidell, é um portento soul e funk. Ao vivo, Lidell é um one man show, acompanhado apenas por uma beatbox. Soul orgânica? Aparentemente sim e com que resultados!

Nota de Sal: 8/10

Merz, Moi et Mon Camion

British crooner por excelência que peca apenas pela fuga constante da luz da ribalta e da notoriedade. A pouca assiduidade editorial com que Merz optou por gerir a sua carreira também ajudou a construir o mito de artista pouco dado a colaborar com a indústria. Moi et Mon Camion é feito da electro-folk característica de Merz, alter ego de Conrad Lambert. Os dez temas que compõem este terceiro disco de originais são suaves, feitos de guitarras dedilhadas com melancolia e ambientes electrónicos adequados. As referências são curiosas, desde os clássicos Beatles ou Beach Boys, com toques de Tunng ou Maps.

Nota de Sal: 7/10
Referências: Tunng, Maps

Scarlett + Bowie = Waits?

Enquanto a emissão não retoma a normalidade, deixo em forma de compensação um dos temas que fará parte de Anywhere I Lay My Head, o disco de estreia de Scarlett Johansson, integralmente composto por originais de Tom Waits e ainda um original de Scarlett. Trata-se de Falling Down (sim, o mesmo onde Waits canta sobre “Scarlett and me”) e tem a participação de David Bowie.

Estado d’Alma #20

Porque sei e sinto que por ti, e graças a ti, serei uma pessoa melhor.

My darling child
My darling baby
My darling child
You gave life to me
My darling child
My darling baby
My darling child
You came and saved me
My darling child
My darling baby
My darling child
God gave you to me
Me little ninja
My little dancer
Me little streetfighter
Me little chancer
Me lovely boy
Me lovely babby
My pride and joy
Me little puppy
Me little wolf
Me little lamby
My favourite boy
My angel babby

Me little ninja
Me little dancer
Me little streetfighter
Me little chancer
Me love me boy
Me love me babby
My pride and joy
Me little puppy

My Darling Child, Sinéad O’Connor (Universal Mother, 1994)

Estado d’Alma #19

Já está entre nós.

Eu tenho um anjo
Anjo da guarda
Que me protege
De noite e de dia
Eu não o vejo
Eu não o ouço
Mas sinto sempre a sua companhia

Eu tenho um guarda
Que é um anjo
Que me protege
De noite e de dia
Não usa arma
Não usa a força
Usa uma luz com que ilumina a minha vida

Ele não, não usa arma
Ele não, não usa a força
Usa uma luz com que ilumina a minha vida

Anjinho da Guarda, Três Tristes Tigres, 2001 (original António Variações, 1983)

Uma década de Odelay/Moon Safari

Dois dos discos mais representativos dos anos 90 estão prestes a surgir na forma de reedição de luxo. Quer Odelay quer Moon Safari marcaram uma época por terem simbolizado em simultâneo ruptura e inovação. A samplagem desmetida e contagiante de Beck e a pop ambiental dos Air foram especiais na relação que muitos melómanos mantiveram com a música e é com agrado que se olha para trás, dez anos depois (sim, estamos todos mais velhos…).

Odelay Deluxe Edition contém o disco original mais outro disco de remisturas e novos temas que poderiam também ter aparecido na edição original. E atenção que não se trata apenas de ocupar espaço. O espírito Odelay está muito bem reinventado, sendo este talvez o projecto mais interessante de Beck depois de Midnite Vultures.

A 10th Anniversary Edition de Moon Safari é igualmente valiosa. Para além do inevitável disco de originais, surge também um segundo CD com misturas e gravações ao vivo em palcos maiores e programas de rádio. Mas o rebuçado é o DVD que contém o documentário Eating, Sleeping, Waiting & Playing, que aborda a primeira digressão internacional dos Air, precisamente para mostrar Moon Safari ao mundo. Existem igualmente quatro videos de temas, claro está, de Moon Safari.