O Sal da Língua

Sons organizados de forma a exprimirem uma grande variedade de emoções.

My Morning Jacket, Evil Urges

Z, o álbum anterior dos MMJ, chegou-me às mãos ao mesmo tempo que discos como Black Sheep Boy dos Okkervil River, Everything All The Time dos Band of Horses, Aha Shake Heartbreak dos Kings of Leon ou Alligator dos The National. Foi uma fase de descoberta da música Americana (leia-se com A maiúsculo e pronúncia norte-americana, se favor favor) que ainda hoje relembro com particular entusiasmo. É claro que estamos a falar de uma época musical e socialmente difícil para a sociedade americana (2003-2005) e a música reflectia isso mesmo. A música alternativa canadiana estava no auge, como que se o mundo procurasse outros caminhos que fugissem à terra do Tio Sam. Não era com especial orgulho que as bandas americanas vinham à Europa exibir a sua nacionalidade. Ben Bridwell, vocalista dos fantásticos Band of Horses, confessou recentemente numa entrevista à Uncut que na última digressão que fez pela Europa chegou a fingir que era canadiano. Sintomático.

Mas vivemos tempos diferentes. Aconteça o que acontecer nas eleições presidenciais norte-americanas lá mais para o final do ano, o clima já é diferente, anuncia-se a mudança. Porque tudo o que for diferente do Bush W será para melhor. Musicalmente falando, este renascer do orgulho e da identidade americana perante o espectro de um virar de página leva a que bandas como os My Morning Jacket exibam com maior fulgor as raízes a que não podem fugir. Porque Evil Urges é um disco de rock fulgurante e ambicioso, sem vergonhas ou complexos. A diversidade sonora dos MMJ é grande, mas em Evil Urges ultrapassa as barreiras melancólicas de Z e assume a forma de um grito in our face, sem medo de se assumir pop num momento e country noutro.

A grande música americana parece estar de volta, finda a etapa embaraçosa e tristonha que ocupou grande parte desta década. São muitas as bandas que se perfilam como candidatas ao trono canadiano e será com todo o gosto que receberemos todas elas.

Nota de Sal: 8,5/10
Referências: Band of Horses, Okkervil River

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