O Sal da Língua

Sons organizados de forma a exprimirem uma grande variedade de emoções.

Quatro bons regressos e um infeliz acidente

A propósito do fantástico Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust dos Sigur Rós, ocorreu-me que não falei ainda de alguns bons regressos à edição em 2008 de bandas, não direi históricas, mas já com história. Para colmatar a falha, cá vai, em modo resumido:

Podemos começar por The Hungry Saw que, como já alguém referiu, é pura filigrana. Tindersticks em grande forma, a assumirem o lugar que merecem neste género musical que inventaram e reinventaram. Ah, e candidatos a capa do ano.

9/10

Quem regressou também foram os dEUS. Confesso que tolerei num silêncio complacente o tiro ao lado que foi Pocket Revolution, mas exultei com Vantage Point. Metade do disco é dEUS de volta aos velhos tempos e só é pena que estejam a apostar nos singles errados. Tentem antes Oh Your God ou Eternal Woman, são puro dEUS clássico (que frase perigosa, tirada do contexto…). Dará para matar a saudade.

8/10

Este foi um regresso estranho. Os James foram capazes de encerrar a carreira em beleza, com o espantoso Pleased to Meet You, e não precisavam de voltar a tocar num instrumento. Mas Hey Man foi discretamente anunciado e já está à disposição de todos. Resultado: um regresso exuberante aos James do início da carreira, com secções de metais mais próprias de uma banda pop adolescente e refrões de levantar estádios. Felicíssimo regresso.

8/10

E para o fim, Með Suð í Eyrum Við Spilum Endalaust. É a terceira vez que o escuto e as palavras “disco do ano” não me saem da cabeça. Os Sigur Rós introduzir cor nas músicas, foram capazes de respirar fundo. E acho que não preciso de dizer mais nada.

10/10

E para o fim, o pior. O que Third teve de bom foi acabar de vez com as expectativas acerca do famigerado novo disco dos Portshead, tantas vezes anunciado e tantas vezes adiado. Agora escusamos de ansiar por ele, já cá está e é o que é. É tanto ou tão pouco que a banda cancelou a digressão e suspendeu o projecto da banda até ao próximo ano. Acho que fica tudo dito. Um fiasco total para um disco intragável.

4/10

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4 Comments»

  NakedSelf wrote @

Excelentes post/propostas, acho que sou mais generosa relativamente aos Portishead em termos de pontuação. Concordo em pleno com o facto de que não mais repetiram o efeito/impacto da novidade sonora que trouxeram ao mundo aquando a edição do 1º álbum. Um abraço!

  Sofisga wrote @

Sigur Rós rule! Lindo, lindo, ainda não parei de ouvir e continua a emocionar-me escuta após escuta não percebendo nada do que dizem, há música que é mesmo universal, bolas… As palavras “Campo Pequeno, 11 de Novembro, Eu Vou” não me saem da cabeça:)

  Coolsampt wrote @

Boa tarde. Antes de mais, deixe-me dar-lhe os parabéns por este sítio. Parece-me atento e despretensioso. É sempre bom saber que há gente interessada no que de bom se vai fazendo a nível musical.
Por isso, deixa-me algo perplexo a apreciação que faz do álbum dos Portishead, o qual considero um dos grandes discos saídos este ano. Um registo notável, capaz de ocultar a beleza na mais cifrada estratégia de linguagem – pelo menos no que aos cânone pop diz respeito. Talvez o problema seja esse mesmo. Os equívocos em relação ao que são os Portishead e o que demandam derivarão, em grande medida, das enormes expectativas emanadas de um circuito dito “indie” a que eles, na boa verdade, quase nunca ligaram. Lembre-se o carácter heterodoxo da proposta de Geoff Barrows, Adrien Utley e Beth Gibbons ao tempo do lançamento de “Dummy”. Eles surgiram com uma linguagem própria, bem diferente da sopa “alternativa” proposta naquela altura. Mas o tempo faz mover as coisas. O que hoje é estranho, pode muito bem ser familiar amanhã. Sempre assim foi. Não espanta pois o horror e a frustração de toda uma clientela ao deparar-se com o torpedear das suas expectativas. Percebeu-se isso no concerto de Lisboa – que foi fantásticco, se descontarmos a histeria colectiva tão presente e em voga entre nós. “Third” é um álbum em busca da diferença, nada preocupado em agradar a estudos de mercado. O facto de a digressão ter sido cancelada, como diz, até me dá um certo gozo. Fico como um dos privilegiados que pôde assistir à apresentação de um disco que, não tenho dúvidas, a História da Pop colocará no seu panteão.

  nunoromano wrote @

A alegria da música, independentemente do género, é a possibilidade de provocar todo um leque variado de reacções e emoções. Neste blogue, limito-me a dar a minha opinião, livre de preconceitos e pressupostos. Tenho lido algumas críticas positivas a Third, mas isso não me faz em qualquer momento inverter a opinião que tenho do disco. Ouço música porque gosto e falo dela como forma de expressão pessoal. É disso que é feito o Sal da Língua e não se pretende aqui mais nada.
Fico contente por ter gostado do disco, claro. Estou certo de que muita gente mais gostou e ainda bem que assim é, até porque a história da banda o merece.
Um pequeno comentário sobre a referência a Dummy: a receptividade ao disco quando saiu foi de consenso absoluto no elogio, porque de facto furava barreiras e isso era fácil de entender. Third não fez nada disso, antes pelo contrário. Não digo que não seja um daqueles discos que só vai ser reconhecido com o passar dos anos, até porque não me presto a futurologias. Mas no meio do entusiasmo que se vive actualmente, com tanta gente nova a inovar e a experimentar, Third pareceu-me curto e pobre.
Obrigado pela visita e boa música.


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