O Sal da Língua

Sons organizados de forma a exprimirem uma grande variedade de emoções.

Archive for July, 2008

Shearwater, Rook

Os Shearwater existem desde 2001 na forma de projecto lateral (na verdade, mais hobbie do que projecto) de Jonathan Meiburg. Desde que anunciou a saída dos Okkervil River tem-se dedicado de corpo e alma aos Shearwater e atirou tudo o que tinha para dentro deste Rook. Não se sabe até que ponto os temas que compõem Rook são propostas recusadas pelos Okkervil River, mas é certo que o falsete de Meiburg resulta de forma fantástica entre a toada ora grandiosa ora discreta do rock elegante dos Shearwater. Somos brindados com temas rock de estrutura clássica, bem instrumentados, à maneira dos Okkervil. Mas Rook é feito também de pedaços sonoros paisagísticos de forte tendência acústica. Um disco a descobrir a cada nova escuta.

Nota de Sal: 8,5 (e a subir)
Referências: Okkervil River, Bon Iver

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32 anos

“…youre not nineteen forever, pull yourselves together
i know it seems strange but things they change…”

Not Nineteen Forever, The Courteeners

Take 16

On The Death Of The Waters: Shearwater
You / aurora / you / seaside: Get Well Soon
Hero Anthem: The Lionheart Brothers
Mi Viejo: Ratatat
People Magazine front cover: Get Well Soon
From: Dr. Dog
Hurricane Jane: Black Kids
Into the Galaxy: Midnight Juggernauts
50 Souls and A Discobowl: The Lionheart Brothers
White Winter Hymnal: Fleet Foxes
Hippy’s Son: Dirty Pretty Things
Napoleon on the Bellerophon: Beirut
Minas de Cobre (for better metal): Calexico
Not Nineteen Forever (Acoustic): The Courteeners

Ainda dois felizes regressos

Em jeito de continuação à abordagem aos discos de regresso de consagrados dos anos 90, têm estado em escuta Modern Guilt, de Beck e Knowle West Boy de Tricky. Ambos são regressos bem conseguidos para o Sal da Língua, eis alguns dos motivos, mais em detalhe:

8/10

Após o débil The Information, era maior o receio do que a expectativa para Modern Guilt. A fórmula mágica do mago Beck Hansen parecia ter esgotado. Numa época em que a utilização abusiva de samplers e a mistura caótica de géneros já não é novidade, The Information foi um disco perdido na tentativa que repetir qualquer coisa de irrepetível. Modern Guilt é, assim, a negação de The Information. Beck não procurar imitar-se nem repetir-se. Limitou-se a criar música pop bem construída, desta vez recorrendo menos ao sampling e dedicando-se mais à construção de melodias e à “forma” que cada tema iria assumir. Para isso contou com a colaboração de outro mágico na produção, Danger Mouse. Nas palavras de ambos, a produção foi bastante exaustiva, com os detalhes a serem levados ao extremo, mas sem causar cansaço na audição. Modern Guilt é um bom disco pop, que não inventa nem reinventa. E talvez seja esta a melhor conclusão a que Beck poderia chegar nesta fase da sua carreira, chegado que está ao décimo disco.

8/10

Há alguns anos que o rebelde da zona de Knowle West, em Bristol, está refugiado em Nova Iorque, em busca de novas fontes de inspiração e de uma mudança de ares. Isso não o fez esquecer as origens e tal reflecte-se bem o título que escolheu para o disco. A forma peculiar de Tricky se inspirar já é conhecida: a exposição da relação amorosa da altura é levada para o disco, em que a companheira participa nas vozes do disco. Aconteceu com Martina Topley-Bird no início da carreira (com quem viveu e teve um filho), passou por um italiana desconhecida em Vulnerable e chega agora a Lubna, com quem partilhou um relação antes e durante a gravação de Knowle West Boy. É engraçado verificar que os melhores discos de Tricky são os emocialmente mais fortes (Angels With Dirty Faces, Maxinquaye) e que isso esteve dependente da situação emocional do momento.

Knowle West Boy é o regresso de Tricky não à melhor forma, mas a uma forma muito aceitável. É um disco mais fresco, mais interessante do que Vulnerable ou Blowback, que reflecte as experiências pessoais e musicais num país novo, que tem tanto para dar ao nível da inspiração. Há até um tema, Joseph, em que participa um vagabundo poeta.

Apesar de não ser o disco revolucionário de que se espera de Tricky, Knowle West Boy é um disco inspirado e cheio de motivos de interesse.

Conto de três discos

Três dos discos que estiveram em escuta nas duas últimas semanas tiveram recomendação especial. Em termos gerais, as expectativas eram altas, mas o maior destaque ia para o disco de estreia dos Fleet Foxes. Rest now, weary head! You will get well soon dos Get Well Soon estava também devidamente recomendado e Dizzy Kiss dos noruegueses The Lionheart Brothers tinha tudo para assumir a forma de segredo bem guardado.

Tais foram as audições em repeat destes três discos que teria de falar sobre os três ao mesmo tempo. Aqui vai.

8/10

Estão por todo o lado, nas rádios e revistas da especialidade. Descendentes directos dos Beach Boys e dos Beatles, são os freaks litorais dos tempos modernos, mesmo que o celebrado White winter hymnal seja sobre animaizinhos do Inverno. Excelentes em termos melódicos e no desempenho vocal, pecam em grande parte pela inconsistência de qualidade ao longo do disco. Este que é precisamente o ponto forte dos dois discos que se seguem:

8,5/10

O pop psicadélico dos anos 70 é também aqui recuperado por este grupo de noruegueses que contém membros da banda que tem acompanhado os Serena Maneesh nos últimos anos. A redenção recente de Brian Wilson com Smile veio recuperar sonoridades que há muito estavam longe da actualidade musical. Os The Lionheart Brothers recuperam a jovialidade e as canções solarengas que, no fundo, todos adoramos. Arrisca-se a ser o segredo guardado justamente revelado em 2008. Mas…

9/10

… 2008 conta também com esta pérola. Rest now, weary head! You will get well soon dos Get Well Soon é dos conjuntos de músicas mais viciantes dos últimos tempos por estes lados. A consistência musical é assustadora e cada tema é mais surpreendente do que o outro. A facilidade com que deambulam por entre géneros é incrível, mantendo sempre uma agradável tonalidade folk, mesmo nos temas mais improváveis. O disco contém ainda a versão de Born slippy que anda a passar na rádio, mas atenção que este disco vale muito mais do que a dita versão. Um mimo.

Dr. Dog, Fate

As duas/três primeiras escutas deixam perceber que Fate é um bom disco, feito de talento inegável para a escrita de canções. Mas e depois? Hoje em dia, a música com algo a dizer surge de todo o lado a qualquer instante. As referências a Dr. Dog eram tão boas e tão inegáveis que teria de haver algo mais. Até porque não é todos os dias que alguém é recomendado por Lou Reed, para mais num dia em que revela estar mal-disposto. As audições seguintes desvendam um pouco mais do mistério e, à medida que percebemos com quem estamos a lidar, o espanto aumento. Estes senhores só podem possuir a colecção de discos ideal, tal a conjugação de boas influências. E o melhor é que está tudo na música: é possível encontrar glam rock, hard rock, rock psicadélico, pop, um pouco de Beach Boys, um pouco de Beatles, caramba, até a fase seventies de Rod Stewart está lá. A passagem para o novo século é feita com bom gosto e a verdade é que Fate não contém temas abaixo de bons, o que torna a sua escuta viciante e crescente a cada nova audição. Grande disco.

Nota de Sal: 8,5/10
Referências: Pavement, M. Ward

Take 15

O take 15 é composto pela Hora do Bolo gravada por mim que passou ontem na Radar. Repete no próximo domingo às 16h. A versão long play desta volta ao mundo está disponível aqui.

01. Brazil: Arcade Fire
02. London, London: Cibelle with Devendra Banhart
03. L’Opaque Paradis: Zita Swoon
04. Amsterdam: Peter, Bjorn & John
05. We’re From Barcelona: I’m From Barcelona
06. O Valencia!: The Decemberists
07. Sweden: The Divine Comedy
08. California: Perry Blake
09. NYC: Interpol
10. Tiergarten: Rufus Wainwright
11. In Berlin: Electrelane
12. Lisboa Que Amanhece: Sérgio Godinho com Caetano Veloso
13. Milan, Madrid, Chicago, Paris: Jay Jay Johanson