O Sal da Língua

Sons organizados de forma a exprimirem uma grande variedade de emoções.

Estado d’Alma #36

Colado a ti.

I’m sticking with you
‘Cos I’m made out of glue
Anything that you might do
I’m gonna do too

You held up a stage coach in the rain
And I’m doing the same
Saw you’re hanging from a tree
And I made believe it was me

I’m sticking with you
‘Cos I’m made out of glue
Anything that you might do
I’m gonna do too

People going to the stratosphere
Soldiers fighting with the cong?

But with you by my side I can do anything
When we swing
We hang past right or wrong

I’ll do anything for you
Anything you want me too
I’ll do anything for you
Oohoh I’m sticking with you
Oohoh I’m sticking with you
Oohoh I’m sticking with you

I’m sticking with you, The Decemberists (2008), original The Velvet Underground

Verão 2008 em Revista I

As minhas poucas comparências no blogue durante os dois últimos meses não se deveram à falta de discos em rotação, mas antes a uma intensa actividade familiar que pouco tempo deixa para respirar. Trata-se de uma fase de vida única que permite pouco tempo para a escrita, mas ainda algum para a vital escuta de música.
Deixei aqui ao lado em escuta alguns discos e é sobre alguns deles que não posso deixar de escrever no primeiro dos dois posts que se seguem. Comecemos, então.

Calexico, Carried to Dust

Nota de Sal: 8/10

O regresso em 2008 dos reis do country mariachi por quem o autor deste blogue tem um carinho especial. Nada do que fazem é mau, mas, neste caso, trata-se de um regresso sério de Burns e Convertino a áreas mais próximas de Feast of Wire, o disco mais marcante da banda.

 

The Hold Steady, Stay Positive

Nota de Sal: 9/10

Um dos discos rock do ano, se não mesmo o disco rock do ano. Quando falo aqui em rock, não falo em variantes mais ou menos modernas, mas no conceito mais puro, como se estes tipos tivessem passado a adolescência a ouvir Springsteen (e é provável que o tenham feito). A crueza e pujança da banda, já evidenciada anteriormente no fantástico Boys and Girls in America, tem neste Stay Positive uma continuação à altura, em que as personagens do disco anterior voltam a aparecer e a ser figuras principais de estórias urbanas de desgosto e falhanço, mas também de imensa alegria, quase sempre powered by Jack Daniels.

 

 

Weinland, La lamentor

Nota de Sal: 8/10

Rock suave com boas melodias e letras à medida. Este La lamentor merece um investimento e tempo dispendido na escuta. A compensação são temas belíssimos como Sick as a Gun ou God Here I Come. A simplicidade é tantas vezes a fórmula mais satisfatória de fazer passar mensagens.

The Walkmen, You & Me

Nota de Sal: 7,5/10

Pelo que já percebi, este será um dos discos mais falados nas listas de melhores do ano que nos chegam todos os meses de Dezembro. Os Walkmen são responsável por uma mistura bem interessante dos instrumentos rock clássicos com metais e teclados, quase sempre bom bons resultados. You & Me é um bom disco rock, com um tema bem conseguido e que tem tido bastante airplay: In the New Year. Mas o que se separa um bom disco rock como You & Me de, por exemplo, um esplêndido disco rock como o já aqui falado Stay Positive? A resposta é curta e simples: a consistência das letras, a narrativa bem estruturada, o fulgor. Mas os Walkmen têm tudo para, muito em breve, serem capazes de um disco extraordinário.

 

Laura Marling, Alas I Cannot Swim

Nota de Sal; 7,5/10

Laura é a estrela-folk-querida-que-despedaça-corações do momento. A melancolia está lá, a doçura da voz também, as guitarras suaves também. Ainda por cima, a rapariga escreve bem e consegue ser consistente ao longo de todo o disco. Alas I cannot swim é bonito. E muito viciante.

 

Mercury Rev, Snowflake Midnight

Nota de Sal: 7/10

É sempre com algum incómodo que escreve sobre músicos ou bandas que já foram marcantes e essenciais e que teimam em não desaparecer e, em alguns casos, renovar-se. Os Mercury Rev marcaram o final dos anos 90 com o marcante Deserter’s Songs, ícone da música moderna do final dessa década e inflûencia para uma série de novas bandas. Na altura, regeneraram o género Americana, trazendo modernidade a um género envergonhado e quase ultrapassado. Hoje, bandas como os Okkervil River e Band of Horses aproveitam o caminho desbravado pelos Mercury Rev. Mas o que dizer perante Snowflake Midnight, disco mais electrónico do que orgânico, onde sobressaem quase só beats retirados do Reaktor? É certo que foram bem retirados e que o psico-pop onírico se mantém intacto e atraente, mas… A dada altura de Senses on fire, Donahue canta “Ready or not here I come”. A questão é esta mesma. Estaremos prontos para estes Mercury Rev?

 

Noah and the Whale, Peaceful, The World Lays Me Down

Nota de Sal: 8,5/10

Fico sempre muito feliz quando encontro pérolas assim. Sim, reconheço que sou daqueles que tem especial prazer em descobrir bandas novas e mais ou menos periféricas. Este disco foi das minhas grandes descobertas do ano, já que nunca tinha ouvido falar nos Noah and the Whale (shame on me). Folk bem disposta e muitíssimo bem conseguida onde não se conseguem encontrar músicas menos interessantes. A riqueza de instrumentos é grande e a voz de Charlie Fink é capaz de assumir personagens diferentes com grande facilidade. Um mimo.

She and Him, Volume One

Nota de Sal: 8/10

A boa da Scarlett bem que podia ter posto os ouvidos nisto antes de se lançar na insanidade mental que foi Anywhere I Lay My Head. Não satisfeito com a carreira a solo, M. Ward juntou-se a Zooey Deschanel para formar a dupla She and Him (andaram concerteza a ouvir a Madalena Iglésias…). A grande diferença é que Zooey sabe realmente cantar, para além de tocar piano e banjo. Volume One é ternurento e romântico, com forte influência fifties e sixties. Melancólico q.b., com o condão de nos transportar para lugares e épocas diferentes. M. Ward resguarda-se quase sempre nas vozes, dando ideia que compôs temas que só Zooey podia cantar. O resultado é muito bom.

Conor Oberst, Conor Oberst

Nota de Sal: 7/10

O líder dos Bright Eyes, desta feita a solo. Um bom esforço do compositor que acredita em ovnis. Há bons temas neste disco, especialmente aqueles mais próximos da área de conforto dos Bright Eyes. Apesar de ser difícil deixar de considerar este disco mais uma aventura episódica do que um esforço a solo de futuro, há temas de valor que fazem com que este seja um disco a revisitar com frequência.

Micah P. Hinson and the Red Empire Orchestra

Nota de Sal:8/10

É certo que vivemos uma era de revival, onde vale ir repescar referências a qualquer década do século passado. Micah P. Hinson aproveita um pouco a onda, mas a diferença é que o senhor já vai no quarto disco de originais e é isto que sabe fazer melhor. Temas potentíssimos, cheios de feeling e letras abismais. É fácil de acreditar no que aqui é cantado, como se ouvíssemos alguém acabado de sair das experiências que são retratadas nas músicas. Um timbre de voz belíssimo e adaptável às mudanças de ritmo.

Take 18

Stranded Pearl: Giant Sand
Beast: Vincent Vincent and the Villains
No you didn’t No you don’t: The Courteeners
My Little Brother: Art Brut
Dead: The Bookhouse Boys
Fractured Air (Tornado Watch): Calexico
Jungle Drum: Emiliana Torrini
This is Not a Test: Sons & Daughters
Lady’s Bridge: Richard Hawley
Shimmering Dimmering Colored Ding: Belle Chase Hotel
Flowers and Football Tops: Glasvegas
Listening Man: The Bees
We Won’t Have to be Lonesome: Micah P. Hinson

Estado d’alma #35

E o regresso está quase…

Homelife, Adam Green (2008)

Estado d’Alma #34

A solução d’O Sal da Língua para a crise.

Wake up, my dear, wake up
We found a new industry
Investments will pay off
The product’s the truth
People will pay for the answers
That we deliver
Why their neighbour’s lawn’s greener
And the world’s in a mess
Baby, we’re heading for profit
We’ll have no worries no more
We’ll be the first on the moon
And we’re reaching out for the stars
And we’ll be called the people of the year
(“That’s right!
Rides off into the sunset with your cash, your hard-earned money!”)
Now as we’re rich
And we own half of China
We’ll use our money
To change the world
Baby, we’ll reinvent monarchy
We will rule world
I will be king and you’ll be queen
Your crown fits so well that
We’ll be called the people of the year
(“That’s right!
And as a matter of fact you know we own you!”)
But when we’re alone
We are still the same
That we used to be
When we were young
And people won’t know
That we’ve tricked them all
And that we still hide the truth
Under our bed
In our castle.

People Magazine Front Cover, Get Well Soon

Estado d’Alma #33

Então muitos parabéns, assim baixinho para ninguém ouvir.


Each Year, Ra Ra Riot

Estado d’Alma #32

Eu sei que a actualização do blogue está atrasada e que há muitos discos aqui ao lado a pedir para serem descritos.
Infelizmente, não tenho tido tempo nenhum. Mas a esperança é grande e brevemente a actualização chegará.
Entretanto, deixo um novo tema dos Final Fantasy, incluído no EP Plays to Please. Um estrondo que não me tem saído da cabeça nos últimos dias e que serve de aperitivo para o muito aguardado Heartland.


Nun Or A Bawd, Final Fantasy, 2008