O Sal da Língua

Sons organizados de forma a exprimirem uma grande variedade de emoções.

Archive for Bjork

Leila, Blood Looms And Blooms

Apesar de já ter feito sentir a sua presença no mundo da música electrónica com Courtesy of Choice, Leila não é, de todo, das figuras mais prolíferas em termos de edição musical. Mas isto não significa que não se tenha mantido ocupada. Já produziu e participou em diversos discos de Björk e tem actualizado como DJ em diversas ocasiões. Neste momento, o seu DJ set está a fazer o aquecimento para os concertos de Björk em algumas datas da digressão de Volta.

Blood Looms And Blooms é um disco de talento puro, muito trabalhado e retocado. As estruturas musicais utilizadas por Leila não fora do vulgar, sendo que poucas vezes há espaço para estruturas que incluam refrões. A sonoridade é riquíssima, plena de originalidade nos instrumentos utilizados e os arranjos são surpreendentes em quase todos os temas. A isto acrescentam-se as boas participações especiais de Terry Hall, Martina Topley-Bird, Luca Santucci e Khemahl & Thaon Richardson. Trata-se de um disco adulto, feito por quem passou muito tempo em mesas de produção e em mesas de mistura. A isto junte-se a dose devida de irreverência. Eis Blood Looms And Blooms.

Nota de Sal: 8/10
Referências: Björk

Take 8

Regresso ao blogue e à emissão, após uma ausência forçada por doença.

Este take 8 surge por solicitação dos maiores desportistas que conheço, os meus pais. Assim aqui ficam sons para treino/competição.

I: LCD Soundsystem
Thunderstruck: AC/DC
Go West: Pet Shop Boys
Brakes On: Air
Jericho: Asian Dub Foundation
Treat Me Mean, I Need the Reputation: Xploding Plastix
Soy Loco Por Ti America: Caetano Veloso
Alala: Cansei de Ser Sexy
Song 2: Blur
Cish Cash: Basement Jaxx ft. Siouxsie Sioux
Another Excuse: Soulwax (DFA Remix)
Anything New: Digitalism
Superstylin’: Groove Armada
Never Win: Fischerspooner
Easy Love: MSTRKRFT
Feel Good Inc.: Gorillaz
4D: Bill Laswell
Help!: The Beatles
The Salmon Song: The Chemical Brothers
Bang On!: Propellerheads
Big Time Sensuality: Bjork
Over the Ice: The Field
Slow Hands (Britt Daniel Remix): Interpol
Rainin’ in Paradize: Manu Chao
Hasta Siempre Comandante: Robert Wyatt
Won’t Get Fooled Again: The Who
Raining Again: Moby
Amor (versão nocturna): Heróis do Mar
One More Time: Daft Punk
Phantom: Justice
Fly Paper: K-OS
Mansard Roof: Vampire Weekend
Lust for Life: Iggy Pop
Dare: Gorillaz (DFA Remix)
Silent Shout: The Knife
The Contemporary Fix: Lindstrom
Must Be the Moon: !!!
Tits & Acid: Simian Mobile Disco
You Gonna Want Me: Tiga
Blackened: Metallica
Seven Nation Army: The White Stripes
Because We Can: Moulin Rouge OST
Pomp and Circunstance N. 4 (Abridged): Edward Elgar

Feliz Natal

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Em vez de músicas de Natal, a minha proposta são músicas para o Natal. Podem ser, de alguma forma, associadas ao Natal, quer pelo conteúdo de algumas letras, pelos timbres ou pelos instrumentos usados. Este é o meu presente para os nossos leitores diários e ocasionais, para os que lêem tudo e para os que só clicam, para quem está farto das musiquinhas festivas e quer dar à família uma alternativa musical, cheia de espírito e, perdoem-me a imodéstia, bom gosto. Se a tia-avó franzir o sobrolho, digam-lhe que é moderno, que agora o Natal é assim.

A compilação está dividida em duas partes (imagens acima), cada uma cabe num CD.

Tracklist

Soundz4Xmas 1:

O Come, All Ye Faithful: Belle and Sebastian
God Knows: El Perro del Mar
Divine: Antony and the Johnsons
Let the Happiness In: David Sylvian
Jesus Loves Me: Cocororie
Fallen Snow: Au Revoir Simone
Do You Realize??: The Flaming Lips
Une Année Sans Lumière: Arcade Fire
I Guess I’ll Forget the Sound, I Guess, I Guess: Bodies of Water
A Feast Of Friends: Jim Morrison
Tappmarschen: Hedningarna
Hallelujah: Jeff Buckley
Sister Winter: Sufjan Stevens

Soundz4Xmas 2:

Smells Like Teen Spirit: Patti Smith
Personal Jesus: Johnny Cash
Nature Boy: Lisa Ekdahl
Side of the Lord: Lavender Diamond
Eternal Flame: Joan as Police Woman
Hour For Magic: Jim Morrison
Radio Ballet: Eluvium
St. Augustine: Band of Horses
A Beautiful Peace: Robert Wyatt
Sea of Love: Cat Power
All is Full of Love: Bjork
Last Flowers: Radiohead
Beautiful: The Smashing Pumpkins
The Million Dollar Baby: Richard Swift
Love Knows (No Borders): Howe Gelb
Altar Boy: Tom Waits
I Was Born: The Magnetic Fields
Jinglebell Rock: Arcade Fire

nunoromano

156 bpm, good times galore

“… deixemo-nos de pieguices, nós que, em segredo, as adoramos.”, António Lobo Antunes

Há momentos de êxtase difíceis de explicar, por mais que nos preparemos para eles. E depois fica-se neste impasse de não conseguir encontrar o modo de expressão adequado e de haver uma qualquer força a empurrar-nos para a frente do palco para fazermos uma macaquice qualquer. Algo que mostre que o momento é especial e que acabámos de testemunhar algo único.

Às vezes é possível achar essa forma de expressão numa frase, numa cena de um filme ou numa passagem de um livro. Ou na música, sempre na música. Foi nela que encontrei o conforto melódico e expressivo, uma casa para as emoções do fim da tarde. Assim:

Mellon Collie and the Infinite Sadness: The Smashing Pumpkins
Everyday Is Like Sunday: Morrissey
Anyone Can Play Guitar: Radiohead
The State I Am In: Belle and Sebastian
Ziggy Stardust: Bauhaus
Do You Realize??: The Flaming Lips
The One You Love: Rufus Wainwright
The Certainty of Chance: The Divine Comedy
Le Soleil Est Près de Moi: Air
Fistfull of Love: Antony and the Johnsons
Ocean Of Noise (by Arcade Fire): Calexico
Bachelorette: Björk
Ob-La-Di, Ob-La-Da: The Beatles
Up With People: Lambchop
JCB: Nizlopi
The Times They Are A-Changin: Bob Dylan
Severance: Dead Can Dance
Starálfur: Sigur Rós
Looking for Astronauts: The National
Só Tinha De Ser Com Você: Elis Regina E Tom Jobim
Glory Box: Portishead
Let’s Pretend: Tindersticks
Personal Jesus: Johnny Cash
Summer Days In Bloom: Maximilian Hecker
Inquietação: JP Simões
Who By Fire: Leonard Cohen
Eu E Voce (Me and You): Stan Getz with Astrud Gilberto
O Filho Que Eu Quero Ter: Vinicius de Moraes

nunoromano

Nearly God, 1996

 

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Nearly God é um dos segredos mais bem guardados da música dos anos 90. Produzido por Tricky, pode ser considerado um primeiro arranque para a extraordinária sequência de álbuns que marcaram a primeira metade da carreira deste percurssor do trip-hop. Composto por 12 faixas consideradas pelo próprio como demos, torna-se um ensaio para o fora de série Maxinquaye, este sim o seu primeiro disco de originais oficial e parte do triunvirato de ouro do trip-hop dos anos 90, completado por Blue Lines dos Massive Attack e por Portishead dos Portishead. Mas Nearly God é especial porque inclui participações e co-autorias de uma série de artistas em início ou em fases especialmente profícuas da carreira, como são Björk (com Post recém-lançado), Terry Hall, Alison Moyet, Cath Coffey, Neneh Cherry e Martina Topley-Bird (esta a primeira musa de Tricky, que virá mais tarde a ter a sua própria carreira a solo). Nearly God é um tesouro por revelar a cada faixa, pleno de inspiração e talento em bruto. Tricky há muito que deixou de estar na vanguarda da exploração musical, mas importa notar que já lá esteve e que enquanto esteve foi genial.

DL

nunoromano