O Sal da Língua

Sons organizados de forma a exprimirem uma grande variedade de emoções.

Archive for Johnny Cash

Feliz Natal

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Em vez de músicas de Natal, a minha proposta são músicas para o Natal. Podem ser, de alguma forma, associadas ao Natal, quer pelo conteúdo de algumas letras, pelos timbres ou pelos instrumentos usados. Este é o meu presente para os nossos leitores diários e ocasionais, para os que lêem tudo e para os que só clicam, para quem está farto das musiquinhas festivas e quer dar à família uma alternativa musical, cheia de espírito e, perdoem-me a imodéstia, bom gosto. Se a tia-avó franzir o sobrolho, digam-lhe que é moderno, que agora o Natal é assim.

A compilação está dividida em duas partes (imagens acima), cada uma cabe num CD.

Tracklist

Soundz4Xmas 1:

O Come, All Ye Faithful: Belle and Sebastian
God Knows: El Perro del Mar
Divine: Antony and the Johnsons
Let the Happiness In: David Sylvian
Jesus Loves Me: Cocororie
Fallen Snow: Au Revoir Simone
Do You Realize??: The Flaming Lips
Une Année Sans Lumière: Arcade Fire
I Guess I’ll Forget the Sound, I Guess, I Guess: Bodies of Water
A Feast Of Friends: Jim Morrison
Tappmarschen: Hedningarna
Hallelujah: Jeff Buckley
Sister Winter: Sufjan Stevens

Soundz4Xmas 2:

Smells Like Teen Spirit: Patti Smith
Personal Jesus: Johnny Cash
Nature Boy: Lisa Ekdahl
Side of the Lord: Lavender Diamond
Eternal Flame: Joan as Police Woman
Hour For Magic: Jim Morrison
Radio Ballet: Eluvium
St. Augustine: Band of Horses
A Beautiful Peace: Robert Wyatt
Sea of Love: Cat Power
All is Full of Love: Bjork
Last Flowers: Radiohead
Beautiful: The Smashing Pumpkins
The Million Dollar Baby: Richard Swift
Love Knows (No Borders): Howe Gelb
Altar Boy: Tom Waits
I Was Born: The Magnetic Fields
Jinglebell Rock: Arcade Fire

nunoromano

156 bpm, good times galore

“… deixemo-nos de pieguices, nós que, em segredo, as adoramos.”, António Lobo Antunes

Há momentos de êxtase difíceis de explicar, por mais que nos preparemos para eles. E depois fica-se neste impasse de não conseguir encontrar o modo de expressão adequado e de haver uma qualquer força a empurrar-nos para a frente do palco para fazermos uma macaquice qualquer. Algo que mostre que o momento é especial e que acabámos de testemunhar algo único.

Às vezes é possível achar essa forma de expressão numa frase, numa cena de um filme ou numa passagem de um livro. Ou na música, sempre na música. Foi nela que encontrei o conforto melódico e expressivo, uma casa para as emoções do fim da tarde. Assim:

Mellon Collie and the Infinite Sadness: The Smashing Pumpkins
Everyday Is Like Sunday: Morrissey
Anyone Can Play Guitar: Radiohead
The State I Am In: Belle and Sebastian
Ziggy Stardust: Bauhaus
Do You Realize??: The Flaming Lips
The One You Love: Rufus Wainwright
The Certainty of Chance: The Divine Comedy
Le Soleil Est Près de Moi: Air
Fistfull of Love: Antony and the Johnsons
Ocean Of Noise (by Arcade Fire): Calexico
Bachelorette: Björk
Ob-La-Di, Ob-La-Da: The Beatles
Up With People: Lambchop
JCB: Nizlopi
The Times They Are A-Changin: Bob Dylan
Severance: Dead Can Dance
Starálfur: Sigur Rós
Looking for Astronauts: The National
Só Tinha De Ser Com Você: Elis Regina E Tom Jobim
Glory Box: Portishead
Let’s Pretend: Tindersticks
Personal Jesus: Johnny Cash
Summer Days In Bloom: Maximilian Hecker
Inquietação: JP Simões
Who By Fire: Leonard Cohen
Eu E Voce (Me and You): Stan Getz with Astrud Gilberto
O Filho Que Eu Quero Ter: Vinicius de Moraes

nunoromano

The man comes around

 

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American IV: The Man Comes Around (2002)

 

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Johnny Cash At Folson Prison (1968)

Acontece às vezes que a história de alguém se confunde com a obra que deixa. No caso de Johnny Cash, trata-se de um legado musical que transpira vivência e basta ouvir uns quantos temas para vislumbrar episódios, acontecimentos reais. No caso de Cash, não se pode falar da vida do quotidiano, já que se tratou verdadeiramente de uma personagem excepcional. Falamos de um rapaz que carregou a vida inteira a culpa pela morte do irmão mais velho, o exemplo a seguir. Do homem que quis ser uma estrela rock, sem propriamente seguir a sombra de Elvis. Até mesmo do soldado que interceptou a comunicação da morte de Estaline por parte da URSS aos restantes países de Leste. Do homem que acompanhou Jerry Lee Lewis, Elvis, Carl Perkins, Bob Dylan, em fases diferentes da carreira. Do excesso de bebida e drogas (aqui já foi uma estrela vulgar). Do católico profundo que voltou a casar uma segunda vez pela igreja com uma divorciada. Da história que o ligou a June até à morte de ambos. Cash carregou o peso de uma época, de uma sociedade, de um país, de uma forma que só um norte-americano consegue perceber. Mas nós podemos tentar. American IV: The Man Comes Around não é a obra definitiva de Cash, mas é o olhar de Cash, nos últimos meses de vida, já sem June, sobre o mundo tal como o via, através de músicos actuais e outros mais antigos. É a voz cansada, vivida e pronta para o fim a cantar Hurt dos Nine Inch Nails ou Personal Jesus dos Depeche Mode. Nunca estes temas soaram assim. Arrepiante. Ou Cash a tocar ao vivo numa prisão estatal depois do calvário da recuperação da dependência das drogas. Para o regresso às gravações, escolhe um disco ao vivo (coisa rara na época) e logo numa das prisões mais perigosas do país. Libertador. Deixo aqui dois olhares diferentes. Espero sinceramente que gostem.

nunoromano