O Sal da Língua

Sons organizados de forma a exprimirem uma grande variedade de emoções.

Archive for Morrissey

Morrissey, Greatest Hits, 2008

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Morrissey deve sentir-se profundamente orgulhoso. Não que precise de maiores doses de presunção e egocentrismo (não estou certo de o mundo conseguir aguentar muito mais), mas após o interregno forçado dos anos 90, o facto de poder incluir neste Greatest Hits, para além dos temas já conhecidos da fase de inspiração tremenda que atravessou após o fim dos The Smiths, temas de dois discos fora-de-série da primeira década do novo milénio, enche-lhe, certamente, as medidas todas. Há quem diga até que se apaixonou e foi viver para Roma. O extravagante.
Pois eis que chegará em breve o esperado Greatest Hits, que inclui os temas mais recentes. Morrissey poderá descansar e começar a preparar a reforma, pois tem a possibilidade de, se quiser, sair de cena em alta. Mas estando a falar do músico com a maior cabeça (literal e metaforicamente) da indústria musical, é pouco provável que em alta seja suficiente. E o disco novo de originais está já previsto para o Outono.
A capa do Greatest Hits será a que é mostrada acima e a tracklist será a seguinte:
  1. First of the Gang to Die
  2. In the Future When All’s Well
  3. I Just Want to See the Boy Happy
  4. Irish Blood, English Heart
  5. You Have Killed Me
  6. That’s How People Grow Up
  7. Everyday Is Like Sunday
  8. Redondo Beach
  9. Suedehead
  10. The Youngest Was the Most Loved
  11. The Last of the Famous International Playboys
  12. The More You Ignore Me, the Closer I Get
  13. All You Need Is Me
  14. Let Me Kiss You
  15. I Have Forgiven Jesus

Nada mau.

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156 bpm, good times galore

“… deixemo-nos de pieguices, nós que, em segredo, as adoramos.”, António Lobo Antunes

Há momentos de êxtase difíceis de explicar, por mais que nos preparemos para eles. E depois fica-se neste impasse de não conseguir encontrar o modo de expressão adequado e de haver uma qualquer força a empurrar-nos para a frente do palco para fazermos uma macaquice qualquer. Algo que mostre que o momento é especial e que acabámos de testemunhar algo único.

Às vezes é possível achar essa forma de expressão numa frase, numa cena de um filme ou numa passagem de um livro. Ou na música, sempre na música. Foi nela que encontrei o conforto melódico e expressivo, uma casa para as emoções do fim da tarde. Assim:

Mellon Collie and the Infinite Sadness: The Smashing Pumpkins
Everyday Is Like Sunday: Morrissey
Anyone Can Play Guitar: Radiohead
The State I Am In: Belle and Sebastian
Ziggy Stardust: Bauhaus
Do You Realize??: The Flaming Lips
The One You Love: Rufus Wainwright
The Certainty of Chance: The Divine Comedy
Le Soleil Est Près de Moi: Air
Fistfull of Love: Antony and the Johnsons
Ocean Of Noise (by Arcade Fire): Calexico
Bachelorette: Björk
Ob-La-Di, Ob-La-Da: The Beatles
Up With People: Lambchop
JCB: Nizlopi
The Times They Are A-Changin: Bob Dylan
Severance: Dead Can Dance
Starálfur: Sigur Rós
Looking for Astronauts: The National
Só Tinha De Ser Com Você: Elis Regina E Tom Jobim
Glory Box: Portishead
Let’s Pretend: Tindersticks
Personal Jesus: Johnny Cash
Summer Days In Bloom: Maximilian Hecker
Inquietação: JP Simões
Who By Fire: Leonard Cohen
Eu E Voce (Me and You): Stan Getz with Astrud Gilberto
O Filho Que Eu Quero Ter: Vinicius de Moraes

nunoromano

You Are The Quarry, 2004

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Morrissey, You Are The Quarry, 2004

Disco que marcou o regresso de Morrissey à gravação de originais e que o retirou do exílio auto-imposto na costa oeste dos Estados Unidos. Durante os anos 90, Morrissey assistiu silenciosamente, e à distância a que os media o colocaram de todas as next big things fabricadas, à transformação musical que seria inevitável e que se sucedeu ao reinado dos The Smiths nos anos 80. Talvez por culpa dos excessos ou talvez pela forma feia como os The Smiths terminaram, Morrissey, do alto do seu inigualável ego, rendeu-se a um silêncio esfíngico que era parte despeito, parte amuo. Foram precisos sete anos para o voltar a colocar num estúdio a gravar temas originais. You Are The Quarry é belo e agressivo ao mesmo tempo. Há muito rancor e muita revolta nas letras, mas a melancolia única dos The Smiths está lá toda. Trata-se de um disco portentoso que surpreendeu tudo e todos em 2004. Ninguém estava preparado para algo assim e foi difícil incluir Morrissey e toda a carga emotiva que ele próprio enquanto personagem e a sua música acarretam na evolução musical do início do milénio. Na era da Internet e das estrelas instantâneas aparece uma relíquia dos anos 80 a gravar algo assim.

nunoromano

Revival

 

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Shout Out Louds, Our Ill Wills (2007)

Que as bandas da actualidade vão buscar sonoridades e tendências ao passado (num espaço de 20 anos, pelo menos) não é novidade e muito menos surpresa. Chamem-lhe referências, inspiração, o que quiserem. Mas desde o surgimento (e desaparecimento precoce) dos The Organ que se verificou um fenómeno novo. Bandas que assumem, vocal e instrumentalmente, a herança sonora de músicos que tiveram o apogeu há mais de uma década. Mas assumidamente e com boa qualidade. E por isso não lhes levamos a mal. Surpresa pode começar a ser a propagação desta “moda”. Bastam cinco segundos apenas para perceber que os Shout Out Louds se apoiam em Robert Smith e nos The Cure, como os The Organ se apoiaram em Morrissey e nos The Smiths. Mais uma vez, descaradamente, e mais uma vez, bem feito. Não sei o que vai aparecer a seguir, mas a verdade é que a porta deste filão revival está escancarada. A acompanhar.

nunoromano