O Sal da Língua

Sons organizados de forma a exprimirem uma grande variedade de emoções.

Archive for Nine Inch Nails

The Slip, Nine Inch Nails

Os Nine Inch Nails disponibilizaram recentemente no seu website oficial o novo disco de originais, The Slip, para download gratuito. As novidades não ficam por aqui: a crítica tem sido unânime em considerar este um dos discos maiores da carreira dos NIN, o que torna a notícia ainda mais apetecível. The Slip está disponível em diversos formatos de ficheiro, alguns dos quais de qualidade superior ao CD. O site oferece ainda a possibilidade de remistura e partilha dos temas do disco, aqui. O disco estará também disponível em formato físico.

“Thank you for your continued and loyal support over the years – this one’s on me”, Trent Reznor dixit.

The Downward Spiral, 1994

 

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Nine Inch Nails, The Downward Spiral (1994)

Os Nine Inch Nails foram uma das várias bandas de ruptura dos anos 90. Com The Downward Spiral os NIN conseguiram, em 1994, atingir um patamar de sucesso que não estava ao alcance das bandas de sonoridade semelhante da época. Passou a falar-se do experimentalismo, da música industrial com mais frequência. Muitos foram à procura das influências dos NIN e chegaram até coisas como Einsturzende Neubauten. Eu fui um deles. Trent Reznor foi um dos ídolos alternativos dos nineties, mas a verdade é que se soube rodear das pessoas certas na época. Flood, Rick Rubin e David Bowie colaboraram frequentemente com os NIN. Este album aborda a viagem interior da personagem principal do album. É interessante pelo conceito, pela representatividade e pela actualidade.

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The man comes around

 

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American IV: The Man Comes Around (2002)

 

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Johnny Cash At Folson Prison (1968)

Acontece às vezes que a história de alguém se confunde com a obra que deixa. No caso de Johnny Cash, trata-se de um legado musical que transpira vivência e basta ouvir uns quantos temas para vislumbrar episódios, acontecimentos reais. No caso de Cash, não se pode falar da vida do quotidiano, já que se tratou verdadeiramente de uma personagem excepcional. Falamos de um rapaz que carregou a vida inteira a culpa pela morte do irmão mais velho, o exemplo a seguir. Do homem que quis ser uma estrela rock, sem propriamente seguir a sombra de Elvis. Até mesmo do soldado que interceptou a comunicação da morte de Estaline por parte da URSS aos restantes países de Leste. Do homem que acompanhou Jerry Lee Lewis, Elvis, Carl Perkins, Bob Dylan, em fases diferentes da carreira. Do excesso de bebida e drogas (aqui já foi uma estrela vulgar). Do católico profundo que voltou a casar uma segunda vez pela igreja com uma divorciada. Da história que o ligou a June até à morte de ambos. Cash carregou o peso de uma época, de uma sociedade, de um país, de uma forma que só um norte-americano consegue perceber. Mas nós podemos tentar. American IV: The Man Comes Around não é a obra definitiva de Cash, mas é o olhar de Cash, nos últimos meses de vida, já sem June, sobre o mundo tal como o via, através de músicos actuais e outros mais antigos. É a voz cansada, vivida e pronta para o fim a cantar Hurt dos Nine Inch Nails ou Personal Jesus dos Depeche Mode. Nunca estes temas soaram assim. Arrepiante. Ou Cash a tocar ao vivo numa prisão estatal depois do calvário da recuperação da dependência das drogas. Para o regresso às gravações, escolhe um disco ao vivo (coisa rara na época) e logo numa das prisões mais perigosas do país. Libertador. Deixo aqui dois olhares diferentes. Espero sinceramente que gostem.

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