O Sal da Língua

Sons organizados de forma a exprimirem uma grande variedade de emoções.

Archive for TV On The Radio

Revista II

 

The Ruby Suns, Sea Lion

Nota de Sal: 9/10

Esta é a estreia da Nova Zelândia aqui no blogue e que estreia! No entanto, os Ruby Suns são um pouco mais do que isto e este comentário poderá parecer despropositado. Já lá vamos. Sea Lion é o segundo disco de originais desta banda de Aukland, cujo líder e principal mentor é o californiano Ryan McPhun. É dífícil descrever o som dos Ruby Suns, já que pode passar da forte influência dos Animal Collective em There Are Birds, para o tribalismo de Oh Mojave ou para os sintetizadores eighties da segunda parte de Morning Sun. Sea Lion é principalmente uma delícia para os ouvidos, tal como um sonho colorido e infantil que se tem vergonha de contar aos amigos. Momento grande do ano musical do ano.

 

TV on the Radio, Dear Science,

Nota de Sal: 9/10

Fazer melhor que Return to Cookie Mountain era uma tarefa assombrosa e, por isso mesmo, não foi com assombro que os TV on the Radio regressaram. Digamos que a fasquia foi igualada, o que, em si, não é propriamente mau. Pelos projectos e actividades musicais paralelas de Sitek e Kyp Malone, os cérebros musicais da banda, era perceptível que havia potencial de ideias e talento para que a banda pudesse prosseguir o caminho imaculado do disco anterior. TV on the Radio é um disco facilmente divisível em duas partes, não exactamente separadas. A nebulosidade e o cinzentismo electrónico de Sitek revê-se em temas fora-de-série como Shout Me Out, DLZ e sobretudo no fabuloso Stork And Owl, onde quase é possível distinguir um Ian Curtis regressado. A segunda parte está sob a influência do funk moderno de Malone, com influências seventies, afro-punk e de um Prince que ressoa aqui e ali.

 

Kings of Leon, Only by the night

Nota de Sal: 9/10

Os irmãos Followill regressam mais polidos em todos os aspectos. Surpresa? Desilusão? Mal seria se não mudassem o guarda-fato ou fizessem a barba depois de anos em digressão pelas principais cidades norte-americanas e, sobretudo, pela Europa. Os Followill são genuínos e essa genuinidade foi fortemente abalada ao ultrapassarem a fronteira do estado onde nasceram. Tal foi vindo a notar-se de disco para disco e Only by the night é a revolução e a revelação da banda. Os rapazes sabem bem que ou são aceites ou arrasados. E muitas das estrelas que estou a dar a este disco devem-se precisamente à coragem que aqui revelam. Não falo só falo só dos coros de Use Somebody, falo sobretudo de letras como Crawl onde a banda revela a sua posição enquanto norte-americanos sulistas que são constantemente olhados de lado por toda a Europa: “the reds and the whites and abused, the crucified USA”. Crawl é também uma das melhores músicas do ano, uma espécie de súmula resumida da história do rock.

Uma nota muito insonsa para o elitismo provinciano que já não se usa e que foi empregue na crítica a este disco feita esta semana na Ipsilon.  A sério, já não se usa.